Lembranças de São Paulo

Crônicas sobre a cidade de São Paulo

por José Roberto Walker

Cultura FM 103,3, às quartas-feiras: às 9h e 18h 

O primeiro jornal

O primeiro jornal - Lembranças de São Paulo
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Para quem vive em São Paulo hoje em dia é muito fácil saber o que acontece na cidade, no Brasil ou no mundo. A internet, a televisão e o rádio trazem as notícias rapidamente, quase que no mesmo momento em que acontecem.

Mas é claro que nem sempre foi assim. Durante muito tempo a cidade foi pequena o suficiente para não possuir nem um único jornal e as novidades chegavam com meses de atraso e corriam apenas de boca em boca.

 

O primeiro jornal da cidade – se é que se pode chamar assim um folheto manuscrito – só surgiu em 1823. Não havia tipografia em São Paulo, embora nesta época já circulassem dezenas de jornais no Rio, Salvador e Recife.

“O Paulista”, redigido e copiado à mão por um professor de latim, tinha duas edições semanais e cada exemplar tinha que ser dividido entre cinco assinantes. Morreu logo, talvez pela exaustão do seu abnegado criador, que produzia ele mesmo todas as cópias.

 

Jornal impresso só em 1827. Foi o “Farol Paulistano”, que sobreviveu até 1833 e surgiu junto com o primeiro prelo que chegou à cidade. Porém não era fácil editar um jornal na pequena São Paulo daquela época. As assinaturas, previamente vendidas, prometiam duas edições por semana. No entanto o primeiro número já avisava:

“Por ora sairá esta folha às quartas-feiras, mas logo que tenhamos novos tipos e quem ajude ao compositor que é único e não pode acudir a todo o trabalho, dalaemos duas vezes por semana”.

 

Mesmo assim o jornal saía cheio de erros de composição e desalinhado. Devia ser difícil encontrar tipógrafos naquela época. Logo depois da Independência, a cidade possuía mais ou menos 8 mil habitantes e a profissão exigia habilidade. Além disto, o prelo era antigo e muito usado. Os tipos necessários para a composição eram velhos e não havia letras “a” em número suficiente e as existentes estavam muito desgastadas pelo uso. Muitas vezes não pegavam tinta e a sua falta comprometia um pouco a leitura. Era difícil de ler, mas São Paulo finalmente já podia dizer que possuía o seu jornal.